MARINA E DOM: CAPÍTULO 4 - GUERRA DE POLEGARES

02/07/2019

Oi gente! Morri de saudade, como vocês estão? Espero que bem. Cá estou eu ouvindo minhas músicas e me lembrei de mais algumas memórias minhas com meu velho. Já contei a vocês que nós dois brincamos muito (risos)? Acho que nunca na vida conheci um casal que brinque mais, que se zombe mais do que nós dois. Não temos vergonha de absolutamente nada e nem das pessoas que geralmente passam e ficam nos encarando. Pra mim, é lindo perceber nesses momentos o tamanho da nossa simplicidade. O rosto do velho Dom se enche de alegria. Ele sorri tão bonito.

E falando nele, ainda não contei a vocês a origem desse meu velho não é? Vem das manias da terceira idade que Dom, no auge dos seus quase trinta anos já tem. Meu velho escuta o rádio todas as manhãs indo pra faculdade, tem manias de limpeza, organização, se interessa e saber de curiosidades que ninguém liga (inclusive eu, que também não dava a mínima. Mas a convivência é uma merda meus amigos, uma merda) (risos). Fora, que ele se dá bem com os idosos. O Dom é um meme (Ah, esqueci de contar que adoramos memes também, vivemos trocando e nos marcando nas redes sociais. Mais uma afinidade nossa que vocês sabem agora seus danados!) (risos) que vi outro dia e inclusive o marquei: Num dia você é jovem, no outro está conversando com outra pessoa que o preço das coisas está caro. Ele riu até 2050 quando mandei isso pra ele. De todas as maninas que tem a mais clássica é: Reclamar de absolutamente tudo. O velho é o cliente chato da fila das coisas, o cara que reclama do preço das coisas, outro dia estava pê da vida porque achou um absurdo uma livraria não ter conhecimento de determinado livro que ele precisava pra faculdade. Gente! Ele reclamou disso um dia inteiro, sangue nos olhos, um tom de voz mais estúpido, tamanha era a indignação do meu velho. Ouvi a tudo com toda atenção, e ao chegar em casa comprei o tal livro por uma loja online e mandei entregar na casa dele (risos). O velhinho não gosta de futebol (uma curiosidade minha, eu gosto muito de futebol assisto a jogos vou ao Maracanã torço para o Fluminense Football Club. O velhinho só me diz pra ter cuidado) não assiste tv, lê o jornal todos os dias com as pernas cruzadas nos bancos de alvenaria da Puc Rj. Não fuma e não bebe, não escuta fones de ouvido alto e me repreende quando me vê fazendo isso. Não gosta de festas e baladas (nunca foi a nenhuma da faculdade) Eu preciso falar mais o que pra vocês? (risos)

Nós brincamos de guerra de polegares, pedra papel e tesoura, Uno, e adivinha só? Eu perco pra ele em tudo isso. Dom sempre ri a beça de mim quando isso acontece, fica com dó e me deixa vencer. Quando vê que estou perdendo muito, me abraça e afaga a cabeça no melhor estilo "não fica assim my Smilley". A gente faz piada com as coisas que vemos e achamos engraçado e confesso que rimos de algumas pessoas da faculdade que achamos "diferentes". Fazemos guerra de arroto e tiramos meleca do nariz (podem achar a gente nojento). Eu me lembro da primeira vez que ele soltou "flatulências" em minha frente (risos) foi na estação do metrô esperando o meu trem pra ir pra casa. Estávamos conversando quando de repente ouço sons (risos) ele olho pro meu rosto muito sem graça, e me pediu apenas desculpa. Pairou um silêncio no ar e em sequencia eu quebrei o clima dizendo a ele que não tínhamos mais nenhum pudor entre nós, que toda a intimidade tinha sido atingida e o velhinho apenas sorriu. Dom tem manina de fazer meu corpo de cama e sempre se deita sobre mim quando está muito cansado, durante o banho olhamos um os dedos do outro pra ver de quem enruga primeiro. Cantamos as músicas de nossos desenhos animados alto, cantamos músicas em inglês errado (e alto pra completar, totalmente desafinados) (risos). Fazemos piadas dos moles que a gente dá, inventamos códigos só nossos para falar alguma coisa, e somos o tempo todo assim! O dia todo desse jeito. E isso faz a gente ser tão a gente. Tudo isso junto se resume em nós e no que somos. Por isso digo a vocês que eu e meu velho juntos não precisamos de nada, só da gente mesmo ocupando o mesmo espaço.

A minha risada alta chama atenção de todo mundo que passa, a minha voz adivinha gente? Também (risos) o velho tem mania de me fazer rir com coisas idiotas que depois eu fico me perguntando de onde que eu tirei graça daquilo (risos), mas de absolutamente tudo o que fazemos, de todas a brincadeiras que temos entre nós ... Bem, antes de eu contar preciso esclarecer, na verdade não é bem uma brincadeira tá crianças? Mas é um hábito que eu tenho com meu velho e isso também é muito a gente (risos). Já comentei com vocês que eu falo muito palavrão? É sim, podem me chamar de desbocada porque eu sou mesmo e justamente por isso eu xingo o velho todo! Mando ele para cada buraco escuro e esquisito que vocês não fazem ideia (risos). Tudo bem, eu sei que você está nesse momento achando isso a coisa mais absurda do mundo, e te entendo (risos) mas isso é algo nosso, muito intimo. O Dom não se sente nenhum pouco ofendido com os palavrões que defiro a ele, se tem uma coisa que ele não tem é masculinidade frágil, pelo contrário ele ri sempre de tudo achando a maior graça e me achando a autêntica das autênticas. Filho da p&%#, vai tomar no teu #@, num &*$# são alguns os elogios (risos) tudo na "brodeiragem" porque entre a gente não tem mimimi. Um dia conto a vocês sobre a nossa amizade está em primeiro lugar acima de qualquer coisa.

Me perdi de novo no tempo, e agora o velho tá aqui me mandando mensagem dizendo que já chegou. Tomara que ele tenha trago algo pra gente comer, todas essas memórias me deram uma fome (risos) Mas eu adoro as dividir com vocês. Prometo que volto!

Um beijo bem grande!